A sessão, que decorreu no passado dia 3 de junho, marcou o arranque do congresso europeu da Reumatologia. Foi o Prof. Doutor Robert B.M. Landewé, da University of Amesterdam, nos Países Baixos, quem introduziu as recomendações provisórias “muito baseadas em expert opinion”, tanto sobre como gerir o doente reumático quanto ao risco de infeção, como também no caso de infeção.
As recomendações têm por base “os dados do registo europeu da COVID-19, no qual Portugal está envolvido através do Reuma.pt, da SPR”, aludindo ao artigo “Characteristics associated with hospitalisation for COVID-19 in people with rheumatic disease: data from the COVID-19 Global Rheumatology Alliance physician-reported registry”, recentemente publicado no Annals of the Rheumatic Diseases. O trabalho envolveu 600 doentes com COVID-19 de 40 países, verificando-se que a imunossupressão não parecia aumentar o risco de hospitalização, ao contrário da idade e de outras comorbilidades, tal como na população em geral.
“É um dado muito importante, porque nos tranquiliza. Toda esta agitação entre o doente reumático e a COVID-19 tinha por base o facto de tratarmos nos nossos doentes com imunossupressores e não sabermos se estavam mais em risco”, sublinha a especialista.
Além disso, a task force recomenda que “não se deve interromper a imunossupressão nesta pandemia”, ainda que deva ser algo decidido de acordo com as recomendações de cada país e entre médico e doente. Ainda assim, deve ser usada a dose mínima eficaz de corticoides, já que “o estudo do registo europeu mostrou que os doentes com doses mais elevadas estão mais em risco de piores outcomes por COVID-19”, adianta.
Numa segunda fase, o Dr. Ted Mikuls, da University of Nebraska Medical Center (UNMC), nos Estados Unidos, e primeiro autor das recomendações da American College of Rheumatology (ACR) referiu que estas “também foram baseadas no agreement da expert opinion e que em tudo são muito semelhantes às recomendações EULAR”, ainda que com algumas diferenças no que toca a continuação e o início de terapêuticas, conclui a Prof.ª Doutora Ana Maria Rodrigues.
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