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Aprendizagens emergentes em espondiloartrite (SpA): dos ensaios à prática clínica

Aprendizagens emergentes em espondiloartrite (SpA): dos ensaios à prática clínica

No segundo dia do EULAR 2020, a Lilly promoveu um Simpósio Satélite dedicado ao tratamento da espondiloartrite, com o objetivo de discutir as necessidades não atingidas na doença, as metas e as principais recomendações terapêuticas, assim como abordar a evidência clínica recente de ixecizumab no tratamento destes doentes. Para debater estes assuntos, reuniu um painel de especialistas composto pelos Profs. Doutores Helena Marzo-Ortega, Peter Nash e Xenofon Baraliakos, contando ainda com a presença do Prof. Doutor Joachim Sieper, a quem coube a moderação da sessão.

“É necessário investir em estratégias de otimização terapêutica em PsA e estratégias de prevenção de evolução da doença em indivíduos com estadio precoce”

De acordo com a Prof. Doutora Helena Marzo-Ortega – a quem coube apresentar as necessidades não atendidas em artrite psoriática (SpA), as metas terapêuticas e as atuais recomendações publicadas nas recentes guidelines da EULAR – são várias de necessidades não atendidas em doentes com SpA, salientando “o atraso no diagnóstico, a falta de compreensão completa da heterogeneidade da doença e as razões subjacentes à elevada prevalência de comorbilidades”.

Por outro lado, a PsA assume um papel importante na qualidade de vida dos doentes. “Cerca de 42% dos doentes com PsA possuem três ou mais comorbilidades”, que envolvem manifestações clínicas especificas de PsA, obesidade, fatores de risco cardiovasculares e fatores de risco metabólico, entre outros. “O doente sofre o impacto de PsA e de todas as comorbilidades existentes, tanto no aspeto físico como na saúde mental, sendo a depressão um dos principais fatores que afeta a saúde mental de doentes com PsA”.  

Importa também mencionar que a doença acarreta uma enorme carga económica, “associado por um lado ao elevado status funcional e, por outro, com a necessidade de consultas de cuidados secundários”.

 

“Numa era que que existem vários fármacos disponíveis para tratar a PsA, escolher o fármaco certo para cada doente constitui um importante desafio”

Como explicou a especialista, as guidelines mais recentes recomendam a abordagem treat-to-target (T2T) para a PsA, com o intuito de atingir remissão ou minimal disease activity (MDA) em todos os domínios da doença envolvidos. O conhecimento adquirido ao longo dos anos sugere que “a abordagem T2T na gestão de PsA permite melhores resultados de outcomes da doença, função física e qualidade de vida em comparação com o standard-of-care”, além de que “atingir alvo MDA é preditivo de melhorias significativas na qualidade de vida dos doentes e na sua produtividade”, reforçou a especialista.

Na perspetiva da reumatologista “para preservar a saúde e melhorar a qualidade de vida dos doentes com SpA deve usar-se uma abordagem multidisciplinar e de multiespecialidade que, com base na evidência dos ensaios clínicos e nas características do doente, permitam a tomada de decisão terapêutica”. Partilhando a experiência do seu serviço sobre esta matéria, refere que “esta abordagem resultou na alteração terapêutica de um terço dos doentes, proporcionou uma importante economização de custos, e 90% dos doentes está muito satisfeito com a terapêutica”.

Por fim, considerando a psoríase como fase pré-clínica de PsA, a Prof. Doutora Helena Marzo-Ortega sublinha a necessidade de desenvolver estratégias que previnam o desenvolvimento da doença mencionando que “dados oriundos do Large University Cohort, na Argentina, demonstraram que o tratamento com DMARD biológicos reduziu o risco de desenvolvimento de PsA”, o que sugere que “estes fármacos possam tratar a doença estabelecida bem como prevenir o seu desenvolvimento a partir de uma fase precoce”, concluiu.

 

Ensaios head-to-head: “ajudam-nos a decidir, no terreno, a terapêutica mais adequada para cada doente”

Baseando-se no caso clínico de um doente com PsA, com rash score de 10 e qualidade de vida severamente debilitada, o Prof. Doutor Peter Nash, abordou o estudo SPIRIT head-to-head (H2H), defendendo que “os estudos H2H são muito interessantes no terreno por nos ajudar a decidir que terapêutica é mais apropriada para cada doente e individualizar todos os doentes”.

Durante a sua preleção o especialista referiu que o ensaio clínico SPIRIT-H2H é o primeiro estudo H2H completo em PsA ativa, comparando dois DMARC biológicos (ixecizumab vs. adalimumab). De salientar, este estudo atingiu o endpoint primário e dois endpoint secundários-chave às 24 semanas. De acordo com o reumatologista da Griffith University, Brisbane, na Austrália, “o ixecizumab foi superior a adalimumab na melhoria dos sinais e sintomas de PsA ativa medidos pelo alcance em simultâneo da resposta a ambos ACR50 e PASI100; ixecizumab foi não-inferior a adalimumab na resposta a ACR50, e demonstrou superioridade a adalimumab na resposta PASI100 às 24 semanas”, enumerou.

Embora se tenha verificado que “tanto ixecizumab como adalimumab demonstraram eficácia no tratamento de outros domínios da doença”, mereceu ainda o destaque do especialista “a maior eficácia demonstrada de ixecizumab vs. adalimumab na resolução entesite (SPARCC), nos outcomes T2T (MDA, VLDA e remissão DAPSA) e ainda no score NAPSI (alteração face à linha basal)”, resultados estes que “foram atingidos numa proporção significativa de doentes”, concluiu.

 

“A vasta maioria dos doentes beneficia de tratamento DMARD biológico de longa duração”

Dentro deste tema, o Prof. Doutor Xenofon Baraliakos, reumatologista do Ruhr-University Bochum, na Alemanha, abordou a evidência recente de ixecizumab nas manifestações extra-articulares: axial, entesite e dactilite.

Como afirmou o especialista, a PsA é uma doença multifacetada com seis domínios clínicos: artrite periférica, doença axial, entesites, dactilites, pele e unhas, salientando que “idealmente seria benéfico ter um fármaco que atuasse em todos os domínios da doença, com o mínimo de combinações farmacológicas possível, tornando mais fácil ao doente aceitar a doença, bem como os seus sintomas e a necessidade de tratamento crónico”.

O estudo coorte que comparou a sintomatologia entre os diversos domínios revelou que “independentemente das semelhanças e das diferenças, não existe um fenótipo específico da doença, o que dificulta a discussão de terapêuticas que têm como alvo sintomas específicos dos doentes por uma ou outra indicação”, esclareceu.

Segundo o especialista, o estudo imagiológico de avaliação da distribuição de inflamação e lesões estruturais por MRI de corpo total, permite identificar achados que podem ser importantes na diferenciação de PsA e espondiloartropatias (SpA), tais como sinais de sinovite, erosões, fatores de infiltração e anquilose. Como explicou, “apesar de haver um padrão semelhante entre ambas as doenças, existem algumas diferenças na frequência e na severidade das lesões, sendo igualmente importante investigar a prevalência geral destes achados no diagnóstico”, defendeu.

Sobre a avaliação clínica de entesites no ensaio SPIRIT- H2H o professor mencionou a utilização de scores que podem avaliar 6 (LEI) ou 16 (SPARCC) locais de doença que constituem os locais clinicamente relevantes em SpA. Além dos resultados anteriormente salientados pelo Prof. Doutor Peter Nash, o Prof. Doutor Xenofon Baraliakos realçou a elevada taxa de resolução de enterites e de dactilites a longo termo (108 semanas), sendo que “55% dos doentes tratados com ixecizumab vs. 46% dos doentes para DMARD biológicos atingiram resolução de entesite” e “77% os doentes sob ixecizumab resolveram dactilites, não havendo sintomas após dois anos”, especificou o especialista reforçando que “a vasta maioria dos doentes beneficia de tratamento de longa duração”. Outra informação relevante prende-se com a avaliação da atividade da doença, na que revelou “uma melhoria significativa ao nível da fadiga, dor axial e severidade, a favor dos doentes que recebem ixecizumab”.

Numa nota final, afirmou que “todos os achados, domínios clínicos e sintomas são importantes e estamos interessados em tratar os doentes com fármacos que envolvam todo o espectro da doença. Nesse aspeto, os dados de ixecizumab mostram que há uma melhoria significativa no tratamento de doentes com PsA”, concluiu Prof. Doutor Xenofon Baraliakos.

segunda-feira, 08 junho 2020 10:32
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