Determinação do índice LupusCDC
Este estudo englobou 172 doentes com SLE, seguidos entre janeiro de 2014 e dezembro de 2018, e que visitaram a Sapienza Lupus Clinic, Roma, pelo menos uma vez por ano. A atividade da doença foi medida através do SLE Disease Activity Index 2000 (SLEDAI-2K), enquanto os danos crónicos foram determinados segundo o Systemic Lupus International Collaborating Clinics Damage Index (SDI). Todos os doentes foram avaliados no estado basal (T0) e a cada 12 meses (T1, T2, T3, T4). Em cada timepoint, os investigadores calcularam o índice LupusCDC, definido pela concomitância de um estado de remissão e a ausência de progressão de danos crónicos nos últimos 12 meses.
Remissão completa e progressão de danos crónicos
Os resultados revelaram que 48,2% dos doentes alcançaram a remissão completa em pelo menos um timepoint (T1: 18%; T2: 31,9%; T3:27,9%; T4: 24,4%). Os investigadores observaram também uma associação significativa entre a falha na obtenção de remissão completa e o envolvimento renal (p=0,02) ou o tratamento com micofenolato (p=0,03), azatioprina (p=0,01) ou ciclofosfamida (p=0,04).
“Relativamente à presença de danos crónicos, observámos um SDI inicial médio de 0,7, com 32,5% dos doentes apresentando danos em pelo menos um órgão ou sistema, e registámos uma correlação entre a presença de danos e a idade (p<0,0001; r=0,4) ou a duração da doença (p=0,001; r=0,25)”, explicou a Prof.ª Doutora Fulvia Ceccarelli. Durante o follow-up, os investigadores verificaram um aumento significativo dos valores médios de SDI comparativamente com T0 (T1: 0,8, p<0,0001; T2: 0,8, p<0,0001; T3: 0,9, p=0,0001; T4: 1,0, p<0,0001). Encontrou-se ainda uma associação entre o aumento dos valores de SDI e a presença concomitante da síndrome antifosfolípidica (p=0,009) ou outras doenças autoimunes (p=0,02), anticorpos anticardiolipina (p=0,03) e anticoagulante lúpico (p=0,03).
Prevalência de LupusCDC-remissão completa (LupusCDCCR)
É ainda de notar que não foram encontradas diferenças significativas entre a prevalência dos diversos níveis de remissão e a prevalência de LupusCDC no nível de remissão correspondente, com 47,7% dos doentes a atingirem a condição de LupusCDCCR em pelo menos um timepoint. Os doentes que mantiveram este estado durante os 5 anos de follow-up (5,8%) apresentaram um fenótipo específico, caracterizado por menor duração da doença (110,4 vs. 201,1 meses; p=0,003), ausência de envolvimento renal, maior prevalência de anticorpos anti-dsADN (p=0,0007), menor prevalência de anticorpos anticardiolipina (p=0,0001) e anticoagulante lúpico (p=0,0001), e menor prevalência da toma de glucocorticoides.
“Portanto, este estudo leva-nos a propor, pela primeira vez, a utilização do LupusCDC, um novo índice clinimétrico que inclui a atividade da doença, em termos de remissão, e a progressão dos danos crónicos, com o intuito de avaliar a proporção de doentes com SLE que atingem o controlo da doença”, concluiu a palestrante. “Adicionalmente, descobrimos que a remissão completa está mais frequentemente associada à ausência de progressão de danos”.
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