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Sintomas como fatores preditores de artrite reumatoide: o modelo preditivo do questionário SPARRA

Sintomas como fatores preditores de artrite reumatoide: o modelo preditivo do questionário SPARRA

A Dr.ª Laurette van Boheemen, do Centro Médico Universitário de Amsterdão, apresentou a palestra intitulada “Predicting rheumatoid arthritis using the Symptoms in Persons At Risk of Rheumatoid Arthritis (SPARRA)”, integrada na sessão “Artrite Reumatoide – prognóstico, preditores e outcome” da EULAR 2020. A sua apresentação incidiu sobre os resultados da investigação da sua equipa, que propôs determinar a prevalência e o valor preditivo dos sintomas em pessoas em risco de desenvolverem artrite reumatoide (RA).

“A previsão precisa do desenvolvimento de RA em pessoas em risco de desenvolverem a doença pode ajudar a selecionar os indivíduos para ensaios clínicos de intervenção precoce”, esclareceu a oradora. Atualmente, a previsão de RA baseia-se sobretudo em biomarcadores, como fatores genéticos, autoanticorpos e anomalias imagiológicas, em detrimento dos sintomas. Todavia, os indivíduos em risco manifestam uma elevada prevalência de sintomas diversos e, muitas vezes, severos, tornando imperativo compreender a capacidade preditiva dos sintomas individuais e complexos no desenvolvimento desta doença.

 

Questionário SPARRA e análise de dados

O estudo descrito teve como objetivos 1) investigar se as respostas ao questionário SPARRA podem prever o desenvolvimento futuro de artrite, e 2) em caso afirmativo, definir se o questionário SPARRA possui um valor preditivo adicional em comparação com o modelo clínico preditivo de Amsterdão (van de Stadt, Ann Rheum Dis 2013). O estudo incluiu um total de 212 indivíduos em risco de desenvolverem RA, provenientes de 4 coortes distintas: Holanda (n=122), Reino Unido (n=77) e Suécia (n=13). Os participantes preencheram o questionário SPARRA, constituído por 69 perguntas previamente validadas (van Beers-Tas et al., RMD Open 2018), as quais incidiam sobre a localização, padrão, severidade e impacto de 13 sintomas, bem como a dor nas articulações por área corporal e o padrão de dor geral. Todos os participantes foram seguidos durante um período mínimo de 24 meses ou até ao desenvolvimento de artrite clínica. Os investigadores recorreram à análise univariada dos dados para pré-selecão do possível preditor (p<0,2), seguida de seleção passo a passo progressiva (por regressão de Cox, p<0,1) para criação de um modelo preditivo multivariável. O valor preditivo adicional do questionário SPARRA relativamente ao modelo clínico preditivo de Amsterdão foi calculado através do teste de razão de verosimilhança.

 

Mudança da dor de articulação para articulação, grau de inchaço das articulações e grau de fadiga como fatores preditores de RA

No total, 25% dos participantes desenvolveram artrite clínica, após uma mediana de 7 meses. 23 perguntas do questionário SPARRA foram selecionadas a partir da análise univariada e prosseguiram para a seleção passo a passo progressiva. Esta análise demonstrou que os seguintes sintomas têm capacidade preditiva no desenvolvimento de RA: mudança da dor de articulação para articulação, inchaço moderado a severo das articulações, e um ou mais dias de sensação de fadiga por mês. Assim, “estes três sintomas foram incluídos no modelo preditivo multivariável do questionário SPARRA, o qual foi posteriormente comparado com o modelo clínico preditivo de Amsterdão”, explicou a investigadora. A análise realizada revelou um maior valor preditivo para RA do questionário SPARRA relativamente ao modelo anterior (AUC=0,70 vs. AUC=0,67, p=0,012).

A Dr.ª Laurette van Boheemen concluiu a sua exposição referindo que “os sintomas descritos no questionário SPARRA oferecem valor adicional na previsão do desenvolvimento de RA em indivíduos em risco”. “Futuramente, será necessário criar uma versão mais curta do questionário que seja aplicada a coortes em risco, de modo a permitir a homogeneização da recolha de dados relacionados com sintomas e, assim, melhorar o nosso entendimento da prevalência e capacidade preditiva da enorme diversidade de sintomas nas populações em risco de RA”, finalizou a especialista.

sexta-feira, 05 junho 2020 12:16
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