A pesquisa é baseada em dados de saúde (SIDIAP, em português: Sistema para o Desenvolvimento e Investigação em Cuidados de Saúde Primários) de 80 por cento da população desta região autónoma de Espanha que é composta, aproximadamente, por seis milhões de doentes. A European League Against Rheumatism (EULAR) aponta, no decurso do seu Congresso, para o crescente risco de abuso de fármacos opioides na Europa e pede medidas para o uso desses analgésicos com mais segurança.
Os fármacos opioides são analgésicos fortes. Cerca de 70% dos fármacos opioides são prescritos na Alemanha para doentes com dores crónicas não associadas a tumores. De acordo com as guidelines, os fármacos opioides podem ser usados, entre outros fins, para dores associadas à osteoartrite crónica (artroses) como terapia, durante quatro a doze semanas. “Existe uma base científica da eficácia e segurança para esta indicação”, diz o Prof. Doutor Ulf Müller-Ladner, ex-presidente do Comité Permanente de Assuntos Clínicos da EULAR e atual Diretor Médico do Departamento de Reumatologia e Imunologia Clínica da Clínica Kerckhoff em Bad Nauheim, Alemanha. Após esse período, a sua toma deve ser interrompida sob risco destes analgésicos provocarem efeitos secundários: náuseas, vómitos, prisão de ventre crónica, mas também tonturas e fadiga. No entanto, o maior risco associado à sua toma é o efeito no sistema nervoso central, que por vezes melhora o humor e, outras vezes, tem efeito estabilizador. “Isto contribui para o seu potencial aditivo: para a maioria dos doentes, a interrupção física é, por isso, a mais difícil”, de acordo com Müller-Ladner, ex-presidente da Sociedade Alemã de Reumatologia (DGRh).
Segundo o estudo da Catalunha (EULAR Abstract No. 3070) as mulheres (quatro por cento mais afetadas que os homens), os mais idosos (10 por cento mais afetados que os jovens) e indivíduos socialmente desfavorecidos (seis por cento mais afetados, comparativamente com os grupos populacionais socialmente mais privilegiados) têm um risco específico de contrair adição/dependência de fármacos opioides.
Do mesmo modo, há mais um por cento de residentes em zonas rurais a consumir fármacos opioides do que os residentes de zonas urbanas. O Prof. Doutor Junqing Xie, da Universidade de Oxford, e principal autor do estudo, afirma: "O consumo de fármacos opioides, em particular opioides fortes, tem aumentado substancialmente nos últimos anos em doentes que sofrem de osteoartrite". Devem ser tomadas medidas de precaução com urgência para que estes medicamentos sejam prescritos com segurança. Isto aplica-se especialmente às mulheres mais velhas que vivem em condições sociais difíceis.
Além disso, um estudo atual da Islândia (EULAR Abstract No.: 2587) mostra que, frequentemente, mesmo depois da origem da dor desaparecer, o consumo de fármacos opioides não é descontinuado, mas, pelo contrário, até aumenta. Por esta razão, nos doentes com doenças inflamatórias das articulações, a dose dos fármacos opioides efetivamente aumenta em vez de ser descontinuada, mesmo após tratamento com anti-inflamatórios precisos e eficazes, como os inibidores do fator de necrose tumoral (TNF). “É uma questão urgente”, afirma o presidente da EULAR, o Dr. Iain B. McInnes de Glasgow, Escócia, Reino Unido. O vício dos fármacos opioides tornou-se, agora, aí, um problema grave.
O risco de desenvolver adição física e psicológica é, no entanto, baixo quando os fármacos opioides são usados adequadamente como previsto. “Por isso, gostaríamos de sensibilizar os médicos prescritores, assim como os respetivos doentes, para o uso responsável dos fármacos opioides”, afirma o Prof. Doutor John Isaacs da Universidade de Newcastle, Reino Unido, e atual presidente do Comité Científico da EULAR.
“Para aliviar a dor crónica, as medicações deveriam ser apenas uma parte de um programa terapêutico abrangente, no qual médicos, psicólogos e fisioterapeutas trabalham em conjunto para esse fim”. Se os médicos prescreverem fármacos opioides em situações excecionais, o ensaio clínico terapêutico deve terminar rapidamente assim que for provada a sua ineficácia, ou se o seu efeito diminuir.
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