Gestão do risco cardiovascular na IMIDs: esperar ou atuar
Este foi o tema discutido pelo Prof. Doutor George Kitas, um dos especialistas envolvido no desenvolvimento das recomendações da EULAR, que começou por afirmar que “existe evidência de que virtualmente todas as IMIDs estão associadas ao aumento de risco de desenvolvimento ou morte por doenças cardiovasculares, nomeadamente enfarte cardíaco, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca”.
De acordo com o especialista do Dudley Group NHS Foundation Trust, Dudley, Reino Unido, a inflamação em si parece desempenhar um “papel central”, na medida em que “exerce efeitos diretos na vasculatura e afeta fatores de risco cardiovasculares clássicos tais como a hipertensão, dislipidemia, sensibilidade à insulina, entre outros”, sublinhando-se ainda que “a elevada prevalência de destes fatores de risco, independentemente da inflamação, desempenham um papel igualmente importante nestas doenças”.
Na medida em que os fármacos antirreumáticos moderam o estado inflamatório e assumem também um efeito nos fatores de risco clássicos, como por exemplo a pressão arterial, o especialista frisou que “os fármacos antirreumáticos, desde os NSAIDs a corticosteroides e todos os tipos de fármacos antirreumáticos modificadores de doença – sejam convencionais, biológicos, ou alvo-sintético – podem ser importantes na moderação do risco cardiovascular em doentes com RA”. Apesar de serem ainda desconhecidos os mecanismos da terapêutica imunomoduladora no contexto do risco cardiovascular, “o efeito geral parece ser benéfico”.
Continuando, o preletor enfatizou que “no contexto de risco cardiovascular devemos agir o mais precocemente possível após momento do diagnóstico de IMIDs”, sugerindo as evidências que “o risco cardiovascular pode ser elevado mesmo antes da apresentação clínica de IMID, pelo que no diagnóstico devemos fazer uma avaliação inicial do risco cardiovascular desenvolvendo posteriormente estratégias de estratificação do doente consoante seja necessário”, rematou o Prof. Doutor George Kitas.
Aumento do risco cardiovascular em doentes com espondilite anquilosante
De acordo com o Prof. Doutor Michael Nurmohamed, também envolvido no desenvolvimento das recomendações da EULAR, os doentes com espondilite anquilosante (AS) apresentam também maior risco cardiovascular, “que corresponde ao dobro do risco da população geral”.
O reumatologista do Amsterdam Rheumatology & Imunology Centre, na Holanda, explicou que “o aumento do risco cardiovascular está relacionado com a doença aterosclerótica comummente designada como manifestações cardíacas específicas da AS”. Contudo, “dados contemporâneos são limitados”, adicionou.
Durante a sessão refletiu também sobre a realização de eletrocardiogramas e/ou ecocardiografias como exames de rotina na população, mencionando sobre este assunto que “a implementação destes exames na prática clinica diária permanece um grande desafio na gestão cardiovascular de doentes com AS”.
Na perspetiva do especialista são necessárias “investigações adicionais que incluam follow-up a longo termo e avaliação de outcome subclínico de insuficiência cardíaca e estudos mecanísticos que permitam avaliar se determinado fármaco induz um aumento do risco cardiovascular nos doentes”, concluiu o Prof. Doutor Michael Nurmohamed.
“A doença cardiovascular constitui uma das maiores causas de morbilidade e mortalidade entre doentes com psoríase e artrite psoriática”
Quem o afirmou foi a Dr.ª Dafna Goldman, admitindo que “este facto é reconhecido desde os primeiros estudos de mortalidade conduzidos na década de 1990”.
Segundo a especialista, “o preditor major para o desenvolvimento de doença cardiovascular é o grau de atividade da doença, tanto na apresentação quanto ao longo do curso da doença”, sendo que “muitos outros fatores de risco cardiovascular que são reconhecidos na população em geral estão também presentes em pessoas com doença psoríaca e são também previstos pelo grau de atividade da doença”, concluiu a reumatologista da Universidade de Toronto, no Canadá.
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